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AFTA – Estomatite Aftosa Recorrente

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A Estomatite aftosa recorrente ou simplesmente AFTA é uma das patologias mais comuns da mucosa Oral.

As hipóteses de sua patogênese são numerosas, mas nenhuma delas é precisa, pois existem diferentes subgrupos de pacientes com diferentes causas para sua ocorrência e não existe nenhum agente desencadeante responsável.

Cientistas e pesquisadores analisaram o sangue periférico em pacientes com Aftas e chegaram a conclusão que a destruição epitelial da mucosa parece representar uma reação imunológica mediada por células T (linfócitos T CD4+ e CD8+). Apesar de ser evidente essa destruição da mucosa oral mediada por estes linfócitos, as causas iniciais são evasivas e altamente variáveis.

Abaixo podemos encontrar alguns fatores causais responsáveis:

  • Alergias
  • Predisposição genética
  • Anormalidades hematológicas
  • Influências hormonais
  • Fatores imunológicos
  • Agentes Infecciosos
  • Deficiências Nutricionais
  • Suspensão do fumo
  • Estresse
  • Trauma

Todos os subgrupos citados acima tem sido relatados como responsáveis, mas cada um deles acaba sendo descartado em outros subgrupos.

A estomatite aftosa recorrente demonstra uma tendência definitiva para ocorrer entre familiares. Quando ambos os pais tem uma história de ulcerações aftosas, há uma chance de 90% de que seus filhos desenvolvam estas lesões.

O estresse com seus efeitos presumidos no sistema imune, relaciona-se diretamente com a presença de estomatite aftosa em alguns grupos. Em investigações com estudantes, as recidivas se deram em períodos estressantes do ano acadêmico; ao contrário, os períodos de férias estiveram associados a uma baixa frequência de lesões.

Imunodesregulações sistêmicas e em pacientes com neutropenia cíclica ocasionalmente tem ciclos de ulcerações semelhantes às aftas que correspondem aos períodos de imunodesregulação grave. Além disso, paciente com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) tem uma frequência aumentada de estomatite aftosa grave.

A barreira da mucosa parece ser importante na prevenção da estomatite aftosa e pode explicar a presença quase exclusiva de estomatite afotsa na mucosa não-ceratinizada. Vários fatores que podem diminuir a barreira da mucosa aumentam a frequência de ocorrência (ex. trauma, deficiências nutricionais, suspensão do fumo); ao contrário, aqueles associados com o aumento da barreira mucosa tem sido correlacionados com diminuição das ulcerações.

Pacientes do gênero feminino possuem uma predisposição para ocorrência de aftas na fase lútea do ciclo menstrual – um período de proliferação da mucosa e ceratinização. Além de apresentarem frequentes períodos de ulceração durante a gravidez.

VARIAÇÕES E CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DE AFTAS

Ulcerações Aftosas Menores (Aftas de Mikulicz)

  • São as mais comuns e representam o padrão presente em mais de 80% dos indivíduos afetados;
  • É uma ulceração pequena e isolada  com halo eritematoso branco-amarelado circundando a ulceração na mucosa oral;
  • Medem entre 3 a 10 mm em diâmetro, possuem curta duração e curam sem deixar cicatriz em 7 a 14 dias;
  • A mucosa jugal e labial são mais frequentemente, seguidas pela superfície ventral da língua, fundo de vestíbulo, soalho da boca e palato mole;
  • Sintomas de queimação, prurido (coceira), pontadas e dor.
  • Sofrem menos recidivas, a taxa de recidiva é altamente variável, oscilando de uma ulceração a cada 2 ou 3 anos a dois episódios por mês

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Obs: A dor não é proporcional ao tamanho da ulceração.

Ulcerações Aftosas Maiores (doença de Sutton ou periadenite mucosa necrótica recorrente)

  • Ocorrem em aproximadamente 10% dos pacientes encaminhados para tratamento;
  • É uma ulceração ampla, profunda e irregular na mucosa oral;
  • Ulcerações medem de 1 a 3 cm em diâmetro e levam de 2 a 6 semanas para curar, podendo deixar cicatriz;
  • Possuem uma maior duração;
  • A quantidade de lesões geralmente é intermediária entre aquele visto nas variantes menor e herpetiforme. O Número de lesões varia de 1 a 10;
  • Qualquer área de superfície oral pode ser afetada, mas a mucosa labial, o palato mole e as fauces amigdalianas são as mais comumente envolvidas.

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Ulcerações Aftosas Herpetiformes

  • Ocorre em cerca de 10% dos pacientes;
  • Apresentam maior número de lesões e maior frequência de recidivas;
  • São numerosas ulcerações pequenas, com o tamanho de uma cabeça de alfinete das quais várias coalescem em áreas de ulceração maior e mais irregulares;
  • As lesões individuais são pequenas, alcançando em média de 1 a 3 mm em diâmetro com até 100 úlceras presentes em uma única recidiva;
  • As ulcerações cicatrizam dentro de 7 a 10 dias;
  • Qualquer superfície da mucosa oral pode ser envolvida;

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DIAGNÓSTICO

Nenhum procedimento laboratorial fornece o diagnóstico definitivo. O diagnóstico é feito pela apresentação clínica e pela exclusão de outras doenças que produzem ulcerações que ser parecem com aftas. A características histopatológicas não são específicas, então uma biópsia é útil apenas para a eliminação de outras possibilidades no diagnóstico diferencial e não é benéfica para se chegar a um diagnóstico definitivo.

TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

A história médica do paciente deve ser revisada para que os sinais e sintomas de qualquer desordem sistêmica possam ser associadas às ulcerações semelhantes a aftas. A maioria dos pacientes com úlcera aftosa leve não recebe tratamento ou usa inúmeras terapias com anestésicos ou produtos bio-adesivos protetores ou medicamentos tópicos periódicos que minimizam a frequência e intensidade dos ataques.

Nos pacientes com doença leve, a base da terapia é o uso de corticosteroides tópicos e a lista de possíveis escolhas é longa, como por exemplo:

  • Bochecho e expectoração com Elixir de Dexametasona a 0,01 %  em pacientes com aftas menores difusas ou herpetiformes;
  • Gel de dipropionato de betametasona a 0,05% ou Gel de fluocinonida a 0.05% em pacientes com ulcerações localizadas;
  • Acetonida triancinolona ou gel de halobetasol a 0,05% em lesões individuais;
  • Comprimidos de triancinolona dissolvidos diretamente sobre as lesões;
  • Spray de depropionato de baclometasona usado em áreas de difícil acesso, como pilares amigdalianos;
  • Xarope de prednisolona ou betametasona pelo método de bochechar e engolir em casos resistentes, dessa maneira as ulcerações receberão tanto tópica quanto sistêmica, etc.

De acordo com Neville, várias alternativas aos agentes corticosteroides tem sido usadas para tratar pacientes que estejam sofrendo com ulcerações aftosas, os mais amplamente aceitos são:

  • Amlexanox
  • Clorexidina
  • Colchicina
  • Dapsona
  • Tetraciclinas
  • Talidomida, etc.

OBS: A remoção cirúrgica das ulcerações aftosas tem sido usada, mas é uma terapia inadequada.

O sucesso destas terapias é altamente variável. Estes tratamentos não resolvem o problema subjacente e são uma tentativa nem sempre muito eficiente. As recidivas frequentemente continuam.  Os pacientes com ulceração aftosa complexa requerem uma avaliação mais extensa para doenças ocultas e a busca por possíveis fatores desencadeantes imunomediadores de destruição da mucosa. A tentativa de tratar as recidivas individuais é difícil, cara e frequentemente frustrante.

O profissional deve explicar ao paciente que a causa subjacente é diversa; mesmo com a busca mais exaustiva, a resposta pode ser evasiva. Em muitos casos, o estresse parece estar envolvido e todas as avaliações destes pacientes estarão dentro dos limites normais. Apesar da alta probabilidade de uma avaliação cara e negativa, a descoberta de uma anormalidade subjacente que possa ser tratada, frequentemente leva à resolução permanente ou melhora dramática no curso das recidivas.

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Fonte de Pesquisa: Patologia Oral e Maxilofacial -Neville

 

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Sobre Daniel Moreira

Graduando em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL. Ex-bolsista do Programa Ciências Sem Fronteiras (Brazil Scientific Mobility Program) na University of Kentucky nos Estados Unidos. Presidente da Liga Acadêmica de Prótese Dentária da UFAL, técnico em Prótese Dentária pelo SENAC-AL, monitor de Prótese Clínica da UFAL e monitor do Projeto Trauma Dental. Foi professor voluntário de Saúde Bucal dos cursos de extensão da Faculdade FACIMA para a Terceira Idade, estagiário do Ministério da Saúde no PET-Saúde, membro da comissão de tecnologia da informação e comunicação do CRO/AL e Presidente do Centro Acadêmico de Odontologia CAO-UFAL. Se aperfeiçoou em Cirurgia buco dentária e atualmente está se aperfeiçoando em "Odontologia Estética" (Dentística) e em Endodontia pelo Instituto Odontológico do Nordeste - IDENT. Venceu três prêmios como melhor Blog de Saúde, Cultura e Educação. É autor-responsável pelo Blog Profissão Dentista, Digital Influencer e Webmaster com experiência em Mídias Sociais e Marketing Digital.

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