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Anestesia local em paciente Gestante

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Alguns aspectos devem ser observados na utilização de anestésicos locais em gestantes, dentre eles:

  1. Técnica anestésica,
  2. Quantidade da droga administrada,
  3. Ausência/presença de vasoconstritor
  4. Efeitos citotóxicos (Scavuzzi; Rocha, 1999)

O anestésico local pode afetar o feto de duas maneiras:

  1. Diretamente (quando ocorrem altas concentrações na circulação fetal);
  2. Indiretamente (alterando o tônus muscular uterino ou deprimindo os sistemas cardiovascular e respiratório da mãe) (Oliveira, 1990)

Todos os anestésicos locais, devido a sua lipossolubilidade, atravessam facilmente a placenta. Entretanto, alguns fatores podem contribuir para a maior velocidade e quantidade da transferência do sal anestésico. O tamanho da molécula deve ser levado em consideração, uma vez que o mecanismo de passagem pela placenta é feito através de difusão passiva. Outro fator importante a ser considerado em relação aos anestésicos locais é o grau de ligação do sal anestésico às proteínas plasmáticas na circulação materna. Quando um anestésico local é absorvido para o sangue materno, uma parte deste se liga às proteínas plasmáticas, restringindo sua passagem pela placenta, ou seja, o agente anestésico apenas atravessa a placenta quando na forma livre. Quanto maior o grau de ligação proteica, maior o grau de proteção ao feto.

Quanto ao uso dos vasoconstrictores em gestantes, quando os benefícios superarem os riscos, os mesmos devem ser utilizados. Sem vasoconstrictor, o anestésico pode não ser eficaz, além de seu efeito passar mais rapidamente. A dor resultante pode levar o paciente ao estresse, fazendo com que haja liberação de catecolaminas endógenas em quantidades muito superiores àquelas contidas em tubetes anestésicos e, consequentemente, mais prejudiciais

gestante dentista

PRILOCAÍNA 3% COM FELIPRESSINA 0,03 UI/ML

Deve ser evitada

A prilocaína tem o poder de atravessar a placenta com mais facilidade e mais rapidamente que os demais agentes anestésicos, entre eles a lidocaína, a mepivacaína e a bupivacaína. Se doses excessivas da prilocaína forem administradas nas gestantes, pode ocorrer o fenômeno conhecido por metemoglobinemia do feto.

A metemoglobinemia pode ser definida como uma alteração hematológica, em que hemoglobina é oxidada formando a metemoglobina, impedindo a molécula de transportar oxigênio. Desenvolve-se dessa forma um quadro semelhante à cianose, na ausência de alterações cardíacas ou respiratórias.

Muitas mulheres grávidas podem desenvolver anemia durante a gestação, tornando ainda maior a suscetibilidade à metemoglobinemia. Se porventura ocorrer uma injeção intravascular acidental de prilocaína, o risco de metemoglobinemia pode ser muito preocupante para o dentista, não somente em relação á mãe, mas principalmente em relação ao feto.

A felipressina, derivada da vasopressina, possui uma semelhança estrutural com a ocitocina, o que pode levar à contração uterina. Apesar de não existirem evidências de que a felipressina possa levar ao desenvolvimento de contrações uterinas nas doses habituais utilizadas em odontologia, recomenda-se evitar as soluções anestésicas que contém esse tipo de vasoconstritor durante a gestação.

BUPIVACAÍNA 0,5% COM EPINEFRINA (ADRENALINA) 1:200.000

Deve ser evitada

Considerando-se a porcentagem de ligação proteica, a bupivacaína seria o agente anestésico mais seguro para o uso em gestantes. Entretanto, sua longa duração de ação anestésica (6 a 7 horas, em média), limita seu emprego em pacientes grávidas. E também o seu efeito tóxico para o fígado impede seu uso na gestante (Andrade, 1998)

Apresenta potência quatro vezes maior que a lidocaína e uma toxicidade quatro vezes menor. Mas apresenta a maior cardiotoxicidade, maior penetrabilidade nas membranas do coração e maior resistência após eventual parada cardíaca.

MEPIVACAÍNA 3% COM OU SEM EPINEFRINA

Deve ser evitada

Deve ser evitada em pacientes grávidas e também no próprio período de lactação, devido à pobre metabolização pelo fígado do feto e de crianças recém-nascidas.

LIDOCAÍNA 2% COM EPINEFRINA (ADRENALINA) 1:100.000 (Alphacaine®)

Recomendada
A solução anestésica local mais segura e, portanto, recomendada para o uso em gestantes, consiste na associação de lidocaína 2% com adrenalina 1:100.000 (Alphacaine®) ou com noradrenalina 1:50.000, respeitando-se o limite máximo de 2 tubetes anestésicos (3,6 ml) por sessão de atendimento, procedendo-se sempre a prévia aspiração e a injeção lenta da solução.

lido

Fontes: [1], [2], [3].

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Sobre Dr. Daniel Moreira de Bulhões

Cirurgião-Dentista graduado em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL. Empresário e sócio proprietário da MOLART, loja de presentes exclusivos e criativos para dentistas. Ex-bolsista CAPES nos Estados Unidos durante o “Brazil Scientific Mobility Program” na University of Kentucky. Foi professor voluntário de Saúde Bucal dos cursos de extensão da Faculdade FACIMA para a Terceira Idade, estagiário do Ministério da Saúde no PET-Saúde, presidente e fundador da Liga de Prótese Dentária, três vezes monitor de Prótese Dentária na Clínica Integrada da UFAL, membro da comissão de tecnologia da informação e comunicação do CRO/AL e Presidente do Centro Acadêmico de Odontologia CAO-UFAL. Se aperfeiçoou em Cirurgia buco dentária, em Odontologia Estética, e atualmente está se aperfeiçoando em Endodontia e Dentística pelo Instituto Odontológico do Nordeste – IDENT. Venceu três prêmios como melhor Blog de Saúde, Cultura e Educação. É autor-responsável pelo Blog Profissão Dentista, Digital Influencer e Webmaster com experiência em Mídias Sociais e Marketing Digital na Odontologia.

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