Início / Curiosidades / ARTICULADORES na Odontologia

ARTICULADORES na Odontologia

banneradsense2

O articulador é um instrumento mecânico que reproduz as ATM’s, mandíbula e maxila e simulam a oclusão e os movimentos mandibulares.

Objetivos dos Articuladores

  • Auxiliar no diagnóstico e planejamento da reabilitação oral.
  • Reproduzir adequadamente os movimentos mandibulares
  • Facilitar na execução do tratamento restaurador e na montagem de dentes em PT e PPR.
  • Auxiliar as fases laboratoriais do trabalho protético
  • Substituir partes anatômicas por partes mecânicas equivalentes imitando, deste modo, os movimentos fisiológicos.

Classificação dos Articuladores

Os articuladores são classificados quanto ao grau de precisão:

  • Articuladores Não-Ajustáveis: Só reproduzem movimentos de charneira (movimento de dobradiça – Abrir e fechar)
  • Articuladores Semi-Ajustáveis: São os mais utilizados. Reproduzem os pontos inicial e final dos movimentos condilares, e a trajetória ente esses dois pontos é representada em linha reta, quando na verdade deveria ser uma trajetória curvilínea.
  • Articuladores totalmente ajustáveis: Possui a distância intercondilar totalmente ajustável e proporcionam não só a reprodução completa dos movimentos bordejantes da mandíbula, o desvio lateral e progressivo, como também a curvatura e direção da inclinação condilar.

Articuladores não ajustáveis – charneira

charneiraCaracterísticas:

  • Só reproduz os movimentos de abertura e fechamento (movimento de dobradiça)
  • Só reproduz uma posição de montagem (no ASA conseguimos montar um caso em RC e levar pra MIC, nesse não)
  • Baixa proporção custo / benefício
  • Usado em casos mais simples para ganhar tempo
  • É mais fácil reproduzir alguns detalhes nele

Se eu tenho uma oclusão totalmente estruturada, eu posso usar o articulador charneira. Desde que se consiga compreender todos esses conceitos de oclusão, podemos fazer um bom trabalho.  Não é regra usar somente o ASA porque ele reproduz com maior precisão, pois tem certas situações que é melhor usar o articulador não ajustável, se a condição permitir fazer isso.

Articuladores Semi-Ajustáveis – ASA

asaCaracterísticas:

  • Mais usado
  • Mais complexo
  • Conseguimos montar em RC e em MIC
  • Reproduzem alguns movimentos mandibulares
  • Permitem ajustes das guias condilar, incisal e ângulos de Bennet
  • Possuem arco facial (simples)
  • Ótima relação custo benefício

 

Ajustes Individuais do Articulador Semi-Ajustável

Seus dispositivos aceitam os seguintes ajustes individuais: distância intercondilar, guia condilar, guia incisal, ângulo de Bennett, ângulo de Fischer, cêntica longa, oclusão excêntrica e assimetria das distâncias incisiocondilar.

  1. Distância intercondilar: (P, M e G) Distância que corresponde ao espaço entre os eixos verticais de rotação da mandíbula. A distância intercondilar interna é em média 2,6 cm menor que a distância intercondilar externa que é obtida com o arco facial. Quando temos um paciente com um rosto pequeno, afilado (P), paciente com um rosto mais largo é diferente (M ou G). Temos no ramo inferior do articulador na parte superior três orifícios, com as respectivas marcações: S-M-L, P-M-G ou 1-2-3, onde representam respectivamente as  Distâncias Intercondilares pequeno (96 mm), médio (124 mm) e grande (124 mm).
  2. Guia condilar (30º): Registro da trajetória do côndilo no movimento de protrusão. Orienta a formação da curva antero-posterior, da curva de compensação, da curva de spee, etc.
  3. Guia incisal: Registra o percurso dos incisivos inferiores contra a face palatina dos incisivos superiores no movimento de protrusão. É a guia incisiva que determina a inclinação dos dentes anteriores superiores.
  4. Ângulo de Bennett (15º): ângulo formado pela trajetória do côndilo de balanceio (para frente, para baixo e para medial) durante o movimento de lateralidade. O ângulo de Bennet, normalmente conseguimos coloca-lo em media 15 graus, já o ângulo da guia condilar em 30 graus pra reproduzir os movimentos mandibulares.
  5. Ângulo de Fischer: ângulo formado pelos mesmos movimentos de protrusão e de Bennett segundo o plano Sagital.
  6. Cêntrica Longa: Movimento da mandíbula quando translada da posição de RC para OC e vice-versa.
  7. Oclusão Excêntrica (OE): Ocorre quando o ponto de oclusão e a RC não estão em harmonia quanto a linha mediana.
  8. Assimetria das distâncias incisocondilares: Quando a mandíbula se apresente assimétrica, as distâncias incisocondilares de cada lado são diferentes. Os dispositivos localizadores dos côndilos no arco facial não são fixos, justamente para registrar as distâncias incisocondilares independentes.

Articuladores do tipo Arcon e Não-Arcon

  • Arcon: Os elementos condilares (cabeça dos côndilos) estão presentes no membro inferior do instrumento, assim os côndilos estão unidos à mandíbula. Ex: Whip Mix, Bio Art, Gnatus, TT II.
  • Não-Arcon: As superfícies articulares da fossa glenóide estão unidas ao membro inferior e os elementos condilares (cabeça dos côndilos) ao membro superior do articulador. Ex: Dentatus.

Fatores importantes

O resultado final dependerá de três fatores:

  • A complexidade e o tipo de aparelho a ser construído;
  • Conceito de oclusão a ser seguido na restauração do caso;
  • Experiência e o conhecimento do operador

Arco Facial

arco-facialO arco facial é um dispositivo complementar do articulador que tem a função de transferir as características individuais do arco dental do paciente para o articulador.

Orienta, portanto, a fixação dos modelos no instrumento, mantendo as mesmas relações de posição, inclinação, altura e grau de assimetria apresentadas pelo paciente.

Tipos de arcos faciais: simples, cinemático e pantográfico.

O arco facial é utilizado para relacionar a maxila de acordo com o seu relacionamento espacial, à base do crânio. Por esse motivo são necessários três pontos de referências: dois posteriores (direito e esquerdo) e um anterior craniano, de preferência na face.

Existem arcos faciais simples que localizam os côndilos através do meato acústico. Esses arcos faciais apresentam uma pequena esfera nas extremidades de cada ramo, as quais são introduzidas nos meatos acústicos externos. Ex: Whip Mix, Bio Art  e Gnatus.

Pantógrafo

pantografoÉ o dispositivo destinado a determinar as trajetórias sagitais dos côndilos, trajetória incisal, ângulos de Bennet, ângulos de Fischer, e a distância intercondilar funcional do paciente, a fim de calibrar o articulador.

Usamos mais o ASA se comparado ao articulador totalmente ajustável, pois o totalmente ajustável tem um dispositivo chamado pantógrafo que fornece a posição exata da maxila em relação a ATM. Fornece um dado exato, a margem de erro é muito menor que a do arco facial do ASA, mas a complexidade não compensa, só é importante para pesquisas, estudos mais complexos.

Movimento de Bennet (Lado de trabalho)

Lado para qual a mandíbula se desloca. É o movimento de deslocamento lateral realizado pelo corpo da mandíbula durante o movimento de lateralidade, que é observado pelo movimento do côndilo de trabalho.

É um movimento combinado de rotação e deslizamento do côndilo do lado de trabalho. É resultante de três pequenos movimentos efetuados simultaneamente pelo côndilo, que permanece na cavidade glenóide, durante o movimento de lateralidade da mandíbula, a saber:

  1. Movimento de translação no sentido vestíbulo-lingual
  2. Movimento no sentido Ântero-posterior
  3. Movimento giratório em torno do seu eixo verical.

Ângulo de Bennet (lado de balanceio)

Lado de balanceio ou movimento de balanceio é o movimento em direção ao lado contrário/oposto ao de trabalho durante o mesmo movimento de lateralidade.

ATM no lado de balanceio forma o ângulo de Bennet quando o côndilo de balanceio sai da cavidade glenóide durante o movimento de lateralidade deslizando para frente, para baixo e para medial.

andulo-mandibula

MONTAGEM DE MODELOS DE ESTUDO EM ATICULADOR SEMI-AJUSTÁVEL – ASA

Objetivo das montagens de modelos de estudo em articulador ASA do tipo Arcon:

  • Diagnóstico,
  • análise oclusal,
  • Enceramento diagnóstico

Articulação dos modelos:

A relação dos modelos devem ser montado em Relação cêntrica (RC), máxima intercuspidação habitual (MIH), ou oclusão em relação cêntrica (ORC).

  • RC: é uma relação temporamandibular (condilo com a fossa mandibular do osso temporal – cavidade glenóise), estável e reproduzível.
  • MIH: posição maxilomandibular onde existe maior número de contatos, entre os dentes, não coincidentes com a RC.
  • ORC: Posição maxilomandibular onde RC é coincidente com a Máxima intercuspidação.

O modelo superior é sempre o primeiro a ser montado. O registro do arco facial é um dos passos essenciais para uma montagem adequada.

OBTENÇÃO DO REGISTRO COM O ARCO FACIAL

1-Obtenção dos registros no garfo

Selecionar um ponto anterior e dois pontos posteriores no arco dentário superior do paciente. Posicionar o garfo (componente do arco facial) na boca do paciente e marcar no garfo 3 pontos que recebrão a godiva.

Plastificar a godiva e aplicá-la nas faces superior e inferior do garfo, nos pontos previamente determinados deixando o volume em altura de 6mm de godiva no ponto anterior e 3 mm nos posteriores.

Com o paciente posicionado na cadeira odontológica e a cabeça ligeiramente inclinada para cima, posiciona-se o garfo com a godiva plastiicada na boca do paciente, centralizando seu cabo com a linha média da face do mesmo.

Em seguida, pressioná-lo contra os dentes superiores para obter o registro das pontas de cúspides.

Mater o garfo em posição e solicitar ao paciente que oclua ligeiramente os dentes inferiores sobre a godiva, para estabilizar o garfo pela impressão das pontas das cúspides destes dentes.

Resfriar a godiva e remover o garfo da boca do paciente, verificando a precisão do registro.

Se houver problemas durante o registro, excessos de godiva, báscula ao toque dos dentes na parte metálica do garfo, o registro deverá ser repetido reembasando-o.

O reembasamento poderá ser feito com pasta zincoenólica ou cimento de óxido de zinco e eugenol. Após vaselinar os dentes, coloca-se o material sobre a godiva e levapse o garfo de mordida na boca do paciente, solicitando que oclua firmemente sobre o mesmo até a presa final do material.

Quando o paciente não possuir dentes na região anterior ou posterior, a godiva nessa região deverá moldar o rebordo, devendo ser sempre reembasada com pasta de óxido de zinco, de forma a obter três pontos de apoio estáveis.

2-Instalação do arco facial no paciente

Posicionar os suportes auriculares plásticos nos condutos auditivos externos do paciente. Pedir ao paciente que segure com firmeza ambos os braços do arco facial.O paciente deverá exercer ligeira pressão bilateral no arco facial que está segurando para dentro e para frente, aproximando ao máximo o suporte auricular plástico da ATM. Apertar os três parafusos superiores do arco facial e instalar o relator nasal na barra transversal do mesmo. Ajustar o arco facial movimentando a presilha na haste vertical para cima ou para baixo até o relator nasal se apoiar no nasion (glabela) do paciente e apertar o parafuso que o fixa.

3-Fixação do garfo de mordida ao arco facial

Estabilizar o conjunto durante o ajuste para evitar o efeito de torção que causa desconforto ao paciente. Apertar firmemente o parafuso da presilha da haste horizontal com a chave adequada e, em seguida, o da presilha na barra vertical do arco.

4-Registro da distância intercondilar

Observar a distância intercondilar aproximada do paciente, registrada na região anterior e superior do arco facial que pod eser (P,M,G). Essa informação deve ser anotada na ficha do paciente para posterior ajuste do articulador.

5-Remoção do arco facial

Desapertar o parafuso de fixação e retirar o relator nasal. Desapertar o parafuso mais anterior da parte superior do arco facial. Não afrouxar os parafusos laterais para não bascular o garfo. Solicitar o paciente para abrir a boca lentamente e retirar todo o conjunto.

 

PREPARO DO ARTICULADOR PARA MONTAGEM DOS MODELOS

1-Ajustar a distância intercondilar no articulador

Ajustar a distancia correspondente a distância intercondilar do paciente registrada no arco facial (P,M ou G).

Se o registro da distância intercondilar no arco facial coincidir com a linha demarcatória entre duas distâncias, ajustar o articulador sempre na distância MENOR, o que resultará em cúspides mais baixas havendo menor possibilidad de interferências.

Em seguida, ajustar as guias condilares (cavidades glenóides) no ramo superior do articulador na mesma distância dos côndilos.

2-controle posterior (ajuste da guia condilar)

É fundamental a estabilização dos côndilos nas paredes superior, posterior e mediana das guias condilares, ajustadas de acordo com as características das ATM’s do paciente, ou nas medidas médias:

  • Parede superior 30º
  • Parede mediana (ângulo de Bennett) 15º

3-Instalação do arco facial no articulador

Limpar, vaselinar e fixar as “bolachas” (placas de montagem) nos ramos superior e inferior do articulador. Posicionar a mesa incisal no ramo inferior e remover o pino-guia.

Para fixar o arco facial no articulador devemos acoplar os orifícios, localizados nos puortes auriculares, nos pinos localizados na porção externa posterior das guias condilares, enquanto um dos braços do arco facial é mantido contra o próprio corpo do operador.

Deixar que a extremidade anterior do ramo superior do articulador descanse sobre a barra transversal do arco facial. Pressionar os braços do arco facial contra as guias condilares e apertar o parafuso anterior do arco facial.

Apoiar as guias condilares do ramo superior sobre os côndilos já instalados no corpo do articulador. Ao mesmo tempo, a haste do garfo de mordida do arco facial ficará apoiada sobre a mesa incisal.

Na bolacha inferior  (placa de montagem inferior) posicionar um rolete de cera rosa nº 7 para sustentar o garfo evitando báscula do mesmo no momento da fixação do modelo superior ao ramo superior do articulador, com gesso.

FIXAÇÃO DO MODELO DE ESTUDO DO ARCO DENTÁRIO SUPERIOR NO ASA EM LABORATÓRIO

Verificar se o espaço entre o modelo, devidamente posicionado sobre o registro do garfo, e a bolacha (placa de montagem) é suficiente para o gesso de fixação. A distância ideal entre o modelo e a placa é de 1cm (para evitar distorções).

Fazer retenções (ranhuras) na base do modelo superior e umedecê-lo em cubeta de borracha com água com os dentes voltados para cima sem umedecê-los.

Colocação do gesso para fixação do modelo

Adaptar com todo o cuidado o modelo de estudo no registro de godiva do garfo de mordida (podendo até uni-los com cera pegajosa). Suspender o ramo superior do articulador e colocar gesso pedra tipo III bem espatulado (consistência cremosa/ espessa) sobre a base do modelo em três pontos, um anterior e dois posteriores.

Fechar o ramo superior do articulador até tocar a barra transversal do arco facial.

Mantê-lo nessa posição até a presa final do gesso, após remover o arco facial do articulador completando se necessário o gesso para uma fixação segura do modelo, deixando a superfície de gesso lisa e sem excesso.

MONTAGEM DO MODELO DE ESTUDO DO ARCO DENTÁRIO INFERIOR

O passo fundamental na montagem do modelo de estudo inferior consiste na obtenção e registro da mordida com a mandíbula na posição de RC.

Para facilitar o reposicionamento mandibular em RC, deve-se confeccionar um dispositivo sobre os incisivos centrais superiores em R.A.A.Q. denominado “jig”.

1-Registro da posição de rc no jig

Para a obtenção segura da posição de RC quando do registro em cera deve-se:

  1. Registrar com fita de marcação oclusal o ponto de contato do incisivo inferior na face palatina do “Jig” na posição de RC
  2. Adicionar com o pincel uma pequena porção de R.A.A.Q. exatamente no ponto marcado anteriormente
  3. Manipular a mandíbula do paciente até que o incisivo inferior toque sobre a resina adicionada. A mandíbula deve permanecer nesta posição até a presa do material

Com este procedimento obtém-se uma referência anterior estável no “Jig”, o que assegura o correto registro da posição de RC com a cera.

2- Registros interoclusais (diagnóstico)

Princípios Básicos: Os registros interoclusais nos permitem relacionar as duas arcadas dentárias, possibilitando montar os respectivos modelos no articulador e realizar os estudos e ajustes necessários.

Montagem dos modelos: com o auxílio do registro em RC, os modelos superior e inferior são articulados numa posição de estabilidade dos côndilos com a fossa mandibular do osso temporal.

Ajuste do articulador: com o auxílio dos registros em protrusão e lateralidades ajusta-se o trajeto sagital e horizontal dos côndilos (por meio dos registros da guia condilar e do ângulo de Bennett) nas posições excêntricas.

3-Registros mandibulares

REGISTRO INTEROCLUSAL EM RELAÇÃO CÊNTRICA (RC)

Aquecer uma placa de cera rosa nº 7 em lâmpada a álcool. Dobrá-la para formar camada dupla. Esta placa deverá ter espessura ligeiramente maior que o espaço interoclusal obtido com o “jig”. Posicionála no modelo superior, recortar os excessos de cera por vestibular e na distal dos últimos dentes com tesoura ou lâmina de bisturi. Na porção anterior, recortar a cera em formato de “V”, criando assim espaço para o “jig” quando a placa de cera for inserida na boca.

Posicionar cuidadosamente o “jig” sobre os incisivos superiores. Plastificar a placa de cera e pressioná-la sobre os dentes superiores. Manipular a mandíbula, fechando-a, até que o incisivo inferior contate solidamente com o jig no ponto de registro da RC.

Os molares inferiores devem deixar registradas as marcas das pontas de cúspides no registro em cera. Com jato de água/ar, resfriar o registro e removê-lo em seguida. Se necessário reembasá-lo com cimento ou pasta á base de óxido de zinco. Se houver perfurações no registro de cera, isto significa contato dental, ou deve-se aumentar o “jig” até obter 1 mm de espaço posterior, repetindo o registro para corrigir esta falha.

Após a remoção do registro, este deve ser manuseado com cuidado e, se necessário, armazenado em baixa temperatura, para evitar distorções.

REGISTRO INTEROCLUSAL DAS POSIÇÕES LATERAIS

Para se verificar o movimento lateral nos casos onde o canino estiver fora da posição e não ficar topo-topo, dividi-se o incisivo central superior do lado correspondente ao movimento de trabalho em três terços. Marca-se o terço distal e ao efetuar o movimento a linha média entre os incisivos centrais inferiores deve coincidir com a marca feita no terço distal do incisivo superior. Para registrar a posição de trabalho do lado esquerdo e a trajetória do côndilo de balanceio do lado direito, coloca-se a placa de cera, recortada com o auxílio do modelo, ligeiramente aquecida sobre os dentes superiores do paciente. Pedir ao paciente para guiar a mandíbula para a esquerda e fechá-la na posição de topo a topo dos caninos. Se o paciente tiver dificuldade em executar o movimento, colocar o dedo na face vestibular do canino superior e pedir para que ele tente mordê-lo. Resfriar o registro com jatos de ar e retirá-lo da boca.  Repetir os mesmos passos para o lado esquerdo.

REGISTRO INTEROCLUSAL DA POSIÇÃO DE PROTUSÃO

Posiciona-se a placa de cera devidamente recortada e ligeiramente aquecida sobre os dentes superiores, sem o “jig”. Neste registro, o próprio paciente executa o movimento sem ser guiado pelo operador. Para auxiliar o paciente na execução do movimento, colocar o dedo sobre a vestibular dos incisivos centrais superiores e pedir ao mesmo que tente mordê-lo. Neste momento o paciente estará executando o movimento de protrusão, que será registrado.

Devido às limitações dos articuladores semi-ajustáveis e quando o paciente apresentar guia anterior efetiva, preconiza-se substituir os registros de lateralidade e protrusão, utilizando angulações de 30º para a guia condilar (parede superior) e 15º para o ângulo de Bennett (parede mediana), que são as medidas médias. Porém é indispensável o registro em relação cêntrica.

 

FIXAÇÃO DO MODELO DE ESTUDO DO ARCO DENTÁRIO INFERIOR NO ARTICULADOR (ASA)

A partir do registro em cera obtido com espessura tal que altera a dimensão vertical de oclusão do paciente nos modelos, utiliza-se um artifício prático para compensar esta espessura. Para calcular a espessura do registro e compensá-la no pino guia devemos: – Articular manualmente os modelos em MIH e com um lápis de ponta fina marcar no incisivo central inferior o trespasse vertical do incisivo central superior sobre a sua face vestibular.

Posteriormente, posiciona-se o registro em cera da RC no modelo superior, articula-se manualmente os modelos e marca-se com lápis o novo trespasse vertical anterior.

A seguir, mede-se a diferença entre as duas marcas. Sabendo-se que a relação na abertura bucal entre o último molar e os incisivos é de 1:3, quando a diferença entre as duas marcações obtidas for de 2 mm por exemplo, significa que a distância interoclusal do últimos molares é 3 vezes menor, ou seja, aproximadamente de 0,7 mm. Considerando que a relação de abertura entre os incisivos e o pino guia do articulador é em média de 1:1,5, a diferença de 2 mm multiplicada por 1,5 será igual a 3 mm, valor este que deve ser aumentado na dimensão vertical do articulador através do pino guia. Isso se consegue, erguendo-se o ramo superior 3 mm em relação à marca zero do pino guia (linha contínua).

Ajusta-se a mesa incisal com o pino guia apoiado em seu centro

Coloca-se o ramo superior do articulador invertido, com o respectivo modelo já montado sobre a bancada de trabalho (com o extremo do pino guia incisal se estendendo para fora da bancada). Fazer ranhuras na base do modelo inferior e utilizar o registro interoclusal em cêntrica para relacioná-lo com o modelo superior já montado. Prendê-los com 3 palitos de madeira e cera pegajosa ou cola. Umedecer a base do modelo inferior e fixá-lo ao articulador, utilizando-se o mínimo de gesso pedra para evitar possíveis distorções.

Após a aplicação do gesso pedra no modelo, posiciona-se o ramo inferior do articulador também invertido, colocando os côndilos em sua posição de retrusão nas guias condilares. Fecha-se o ramo inferior contra o gesso de consistência cremosa/ espessa, até que o pino guia toque a mesa incisal. Mantém-se o modelo nesta posição até a presa final do gesso. Após a presa final remove-se o registro de RC, retorna-se o pino guia em zero, obtendo-se o paralelismo entre os ramos do articulador e observa-se a discrepância oclusal entre a RC e a MIH na dimensão vertical de oclusão dos modelos. Essa discrepância deve coincidir com a situação clínica do paciente.

 

AJUSTES DAS GUIAS DO ARTICULADOR

GUIAS CONDILARES:

A configuração da articulação temporomandibular tem grande influência nos movimentos da mandíbula. A morfologia oclusal de qualquer restauração deve estar em harmonia com os movimentos da mandíbula para evitar desarmonia oclusal e trauma

Para tirar o máximo rendimento do articulador, suas guias condilares têm que se aproximar dos limites anatômicos das articulações temporomandibulares. Isto facilitará a confecção de restaurações com alto grau de precisão reduzindo o tempo gasto nos ajustes intra-bucais. Com a finalidade de se ajustar as guias condilares é que são feitos os registros das posições excêntricas da mandíbula.

Depois da presa do gesso de montagem e a remoção do registro em cêntrica, colocar as guias condilares (parede superior) em zero (0) e os controles de lateralidade (parede mediana) em sua posição mais aberta (45º). Liberar o pino guia da mesa incisal para prevenir qualquer interferência.

PAREDE SUPERIOR (Guia condilar)

Com o ramo superior e seu respectivo modelo invertido, coloca-se o registro protrusivo sobre os dentes do modelo superior. Ocluir com cuidado os dentes do modelo inferior nas marcas do registro em cera (registro de posição protrusiva), observar o distanciamento para baixo dos côndilos do articulador da parede superior da guia condilar. Proceder então o ajuste da inclinação da parede superior da guia condilar do articulador, afrouxando os parafusos de fixação e girando as guias condilares para baixo, fazendo com que a parede superior da guia condilar toque o elemento condilar de cada lado do articulador.  Coloca-se uma tira de papel celofane sobre o côndilo tracionando-a até se verificar contato entre esse e a parede superior da guia condilar, bilateralmente. Neste momento, aperta-se os parafusos de fixação das guias condilares.

PAREDE MEDIANA (ÂNGULO DE BENNETT)

É o ângulo formado pelo plano sagital e a trajetória do côndilo de balanceio durante o movimento lateral, visto do plano horizontal. Ajusta-se com o ramo superior e seu respectivo modelo invertido. Adapta-se o registro de lateralidade direita sobre os dentes do modelo superior, ocluindo o modelo inferior sobre o registro. Soltar do lado oposto o parafuso de fixação da guia lateral (ângulo de Bennett) e girar a guia até que toque a superfície medial do côndilo. Observa-se a existência do toque com o uso da fita de papel celofane e aperta-se o parafuso de fixação. Fica assim registrado o ângulo de Bennett esquerdo. Seguindo-se os mesmos passos, ajusta-se o ângulo de Bennett direito usando o registro de lateralidade esquerda. Obtêm-se assim os modelos de estudo do paciente corretamente montados em articulador semi-ajustável e aptos para o uso.

Montagem Clínica de Articulador Semi Ajustável

COMPARTILHE ESTE ARTIGO:

Comente Aqui!

Comentário(s)

Sobre Daniel Moreira

Graduando em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL. Ex-bolsista do Programa Ciências Sem Fronteiras (Brazil Scientific Mobility Program) na University of Kentucky nos Estados Unidos. Presidente da Liga Acadêmica de Prótese Dentária da UFAL, técnico em Prótese Dentária pelo SENAC-AL, monitor de Prótese Clínica da UFAL e monitor do Projeto Trauma Dental. Foi professor voluntário de Saúde Bucal dos cursos de extensão da Faculdade FACIMA para a Terceira Idade, estagiário do Ministério da Saúde no PET-Saúde, membro da comissão de tecnologia da informação e comunicação do CRO/AL e Presidente do Centro Acadêmico de Odontologia CAO-UFAL. Se aperfeiçoou em Cirurgia buco dentária e atualmente está se aperfeiçoando em "Odontologia Estética" (Dentística) e em Endodontia pelo Instituto Odontológico do Nordeste - IDENT. Venceu três prêmios como melhor Blog de Saúde, Cultura e Educação. É autor-responsável pelo Blog Profissão Dentista, Digital Influencer e Webmaster com experiência em Mídias Sociais e Marketing Digital.

Veja Também!

PERIODONTIA: Diagnóstico e Prognóstico

Em casos de higiene correta da cavidade oral com ausência de biofilme o tecido periodontal ...