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ETIOLOGIA DA MALOCLUSÃO

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As maloclusões não possuem “causas” específicas, como algumas enfermidades. As Maloclusões são em geral alterações clinicamente normais de crescimento e morfologia. Suas causas são em geral inespecíficas e nosso conhecimento é frequentemente impreciso e escasso, bem poucas maloclusões são resultantes de uma causa específica.

Os fatores etiológicos contribuem mais para uma desarmonia do que simplesmente a “causam”.
Maloclusão é uma variação clínica significativa do crescimento normal, resultante da interação de vários fatores durante o desenvolvimento.

FATORES LOCAIS ETIOLÓGICOS PRIMÁRIOS DAS MALOCLUSÕES

  1. Esqueleto craniofacial (osso): Aberrações do crescimento dos ossos da face (particularmente maxila e mandíbula) poderão alterar as relações e funções oclusais. O tratamento ortodôntico de desarmonia esquelética deve alterar o crescimento esquelético craniofacial ou disfarçá-la, através da movimentação dentária a fim de mascarar sua desarmonia.
  2. Dentes: Exageradas variações de tamanho, forma, número ou posição dos dentes podem provocar maloclusão. Um dos problemas mais frequentes é em casos de dentes muito grandes para arcos pequenos. Os dentes podem ser movimentados no tratamento ortodôntico para corrigir a maloclusão, mascarar uma displasia óssea, ou auxiliar na remoção de uma disfunção neuromuscular.
  3. Sistema neuromuscular orofacial: Padrões de contração não equilibrados são uma parte significativa de quase todas as maloclusões. O tratamento da maloclusão deve envolver reflexos condicionados para levar a uma situação funcional mais favorável ao crescimento esquelético caniofacial e ao desenvolvimento da dentição e da oclusão, ou poderá resultar em recidiva.
  4. Tecidos moles (excluindo músculos): A maloclusão pode ser resultado de uma enfermidade periodontal e perda de fixação dentária e de uma variedade de lesões de tecido mole, incluindo estruturas da articulação temporamandibular.
    Obs: Raramente apenas um local está envolvido, geralmente outros se tornam afetados. Mas é denominado local primariamente envolvido e os outros secundariamente relacionados. O resultado é uma maloclusão (dentes), malfunção (neuromusculatura) ou displasia óssea (esqueleto craniofacial), mas provavelmente uma combinação dessas três.

TEMPO
Do ponto de vista etiológico, o componente idade se divide em causas ativas pré-natais e aqueles cujos efeitos são notados somente após o nascimento. Uma causa pode ser contínua ou intermitente e pode mostrar seus efeitos antes ou depois do nascimento.

CAUSAS E ENTIDADES CLÍNICAS (AGRUPADAS POR DOCKRELL)

  1. Hereditariedade: A hereditariedade pode aparecer pré-natalmente ou não serem vista por muitos anos após o nascimento. Pouco se sabe da sua influência, entende-se muito pouco ainda sobre o papel do desempenho pelos gens na maturação da musculatura orofacial, mas frequentemente são observadas semelhanças familiares, porém o modo de transmissão ou o local de ação genética não são conhecidos, exceto em alguns casos, como por exemplo a ausência de dentes devido a alguma síndrome.
  2. Defeitos de desenvolvimento de origem desconhecido: Graves defeitos de caráter raro, provavelmente originários na falha de diferenciação em um período crítico do desenvolvimento embrionário. Ex: ausência congênita de alguns músculos, micrognatia, fendas faciais, oligodontia, anadontia, etc. Algumas síndromes faciais graves se encaixam nesta categoria, mas outras possuem fatores genéticos já conhecidos.
  3. Traumatismo (pré-natal, lesões de parto e pós-natal): Pré-natal- hipoplasia da mandíbula por causa da pressão intra-uterina ou traumatismos durante o parto; Vogelsicht é um inibição do crescimento da mandíbula devido a anquiloso da articulação temporamandibular causado por trauma; Assimetria do crescimento facial devido a compressão de um joelho oi perna contra a face. Traumas pós-natal- fraturas dos maxilares ou dentes, hábitos que causam fraturas, traumatismo da ATM conduzindo assimetria e DTM.
  4. Agentes físicos (extração prematura de decíduos, natureza do alimento): Dieta fibrosa estimula os músculos a trabalharem mais, aumentando a carga da função sobre os dente. Essa dieta produz menos cáries, maior média de largura dos arcos e um desgaste exagerado das faces oclusais dos dentes. Dieta mole, pastosa resulta em contração dos arcos dentários devido a falta de função adequada, desgaste oclusal insuficiente e ausência do ajuste oclusal observado na maturação da dentição.
  5. Hábitos ( sucção de dedos, projeção da língua, sucção e mordida do lábio, postura, oncofagia, etc): certos hábitos servem como estímulo ao crescimento normal dos maxilares. Ex: Ação normal dos lábios e a mastigação.

A sucção digital causa maloclusão?
Muitas crianças que praticam o hábito da sucção digital não apresentam evidências de maloclusão; apesar disso, estudos relataram alta associação hábito de sucção com a maloclusão. Estudos relatam que tanto a sucção digital quanto a da chupeta aumentam a tendência a deglutição atípica. Os hábitos de sucção foram relacionados a um aumento dos sintomas das maloclusões graves dissociados do tipo de deglutição presente.
Hábitos de sucção são intensamente relacionados com distoclusão, mordida aberta, mordida cruzada e mordida profunda. O tipo de maloclusão vai depender de diversas variáveis: posição do dedo; contrações musculares associadas; posição da mandíbula, morfologia esquelética facial, duração da sucção, etc.

Mordida aberta é a maloclusão mais frequente. Protração dos dentes anteriores superiores devido a pressão do polegar para cima contra o palato. Incisivos inferiores podem estar inclinados para lingual. Quando a mordida aberta foi desenvolvida, a língua fica projetada para frente durante a deglutição para promover um selamento anterior. O assoalho nasal fica estreito e a abóbada palatina fica profunda. O lábio superior torna-se hipotônico e o inferior hiperativo.
Algumas maloclusões que surgem de hábitos por sucção podem se autocorrigir com o cessar do hábito, mas infelizmente muitos sugadores de dedo produzem maloclusões que requerem uma terapia ortodôntica.

Projeção da Língua
As deglutições com projeção lingual que podem ser causas responsáveis pela maloclusão são de dois tipos: A deglutição com projeção lingual simples, e a deglutição com projeção lingual complexa. A criança normalmente deglute com os dentes em oclusão, lábios levemente fechados e a língua mantida contra o palato atrás dos dentes anteriores. A projeção lingual complexa pode estar associada com problemas nasorrespiratórios crônicos, respiração bucal, amigdalite ou faringite.
Durante a respiração bucal crônica, um grande espaço livre é observado, uma vez que o abaixamento da mandíbula e a projeção lingual permitem uma melhor passagem aérea. Uma vez que a manutenção da via aérea é um reflexo mais primitivo e necessário do que a deglutição perfeitamente desenvolvida, esta última está condicionada à necessidade de respiração bucal. Deste modo os maxilares são mantidos afastados durante a deglutição, de forma que a língua possa permanecer em posição protraída.

Sucção e Mordida do lábio
A sucção do lábio inferior, quando mantido constantemente por baixo dos dentes súpero-anteriores, o resultado é a vestibuloversão desses dentes, frequentemente uma mordida aberta e às vezes a linguoversão dos incisivos inferiores.

Postura
As pessoas com postura corporal defeituosa frequentemente demonstram também uma postura mandibular indesejável. A postura corporal é a expressão somatória dos reflexos musculares e normalmente passível de mudança e correção. A postura anormal de língua é uma frequente causa de mordida aberta e não deve ser confundida com as várias formas de projeção lingual.

Oncofagia
Crianças nervosas e tensas quase sempre exibem o hábito de roer unhas. A oncofagia é frequentemente mencionada como uma causa de mal posições dentárias.
6- Enfermidades (sistêmicas, locais (nasofaríngeas, enfermidade gengival e periodontal, tumores, cáries, perda prematura de dentes), distúrbios endócrinos e respiratórios.)
Enfermidades Sistêmicas: O CD deve buscar ajuda do pediatra quando uma criança com maloclusão tiver qualquer problema sistêmico que possa influenciar o curso da terapia ortodôntica. A maloclusão pode ser resultado secundário de alguma neuropatias e distúrbios neuromusculares. Não se conhece nenhuma maloclusão que seja patognomônica de qualquer enfermidade infantil comum.
Distúrbios endócrinos: A disfunção endócrina pré-natal pode manifestar-se em hipoplasia dos dentes. Distúrbios endócrinos pós-natais podem retardar ou acelerar, mas geralmente não distorcem, a direção do crescimento facial. Eles podem afetar a velocidade de ossificação dos ossos, o tempo do fechamento da sutura, o período de erupção dos dentes e a velocidade de reabsorção dos dentes decíduos. Obs: Não se conhece nenhuma maloclusão que seja patognomônica de qualquer distúrbio endócrino específico.

Enfermidades locais:

Enfermidades nasofaríngeas e função respiratória perturbada: afetam o crescimento craniofacial e produzem a maloclusão. Apesar de haver uma literatura intensa sobre a possibilidade de associação entre método respiratório, morfologia facial e oclusão, a evidência simplesmente não está completa e não está explanado claramente como o crescimento e o desenvolvimento são modificados nos humanos por variações no fluxo do ar. A suposição básica é de que o crescimento adenoideano obstrui a passagem aérea, causando a respiração bucal, a qual necessita de mudanças na língua, nos lábios e na postura mandibular. Esse distúrbio na “harmonia dos tecidos moles” induz a alterações na morfologia craniofacial e a maloclusão, inclusive aumento na altura da face anterior, palato estreito e profundo, incisivos retroinclinados, aumento da altura inferior da face, mordida aberta e uma tendência â mordida cruzada. Acredita-se que essas mudanças sejam efetuadas por compressão, atrofias por dsuso e alteração na pressão aérea.

Enfermidades gengival e periodontal: As infecções e distúrbios da membrana periodontal e gengival tem efeito direto e altamente localizado nos dentes. Podem causar perda dos dentes, alterações nos padrões de fechamento da mandíbula, etc.

Tumores: Tumores nos dentes podem causar maloclusão. Quando localizados na região articular, causam malfunção grave.

Cáries: A maior causa isolada de maloclusão localizada é a cárie dental. As cáries podem ser responsáveis pela perda precoce de dentes decíduos, inclinação dos dentes permanentes, erupção prematura de dentes permanentes, etc. Obs: As cáries interproximais desempenham papel muito importante no encurtamento do comprimento do arco.

Perda prematura de dentes decíduos : Quando um dente decíduo perdido antes do sucessor permanente ter começado a erupção (formação coronária completa e formação radicular já iniciada) o osso provavelmente será reposto acima do dente permanente, retardando sua erupção, caso em que os outros dentes dispõem de mais tempo para se inclinar para o espaço que deveria ter sido ocupado pelo dente retardado.

Sobre a Perda prematura dos dentes:
A perda do primeiro molar decíduo na maxila bloqueia o canino permanente, ao passo que a perda do segundo molar superior decíduo tende a impactar o segundo pré-molar. As extrações prematuras do primeiro molar inferior decíduo tendem a causar má erupção do segundo pré-molar. A maioria das perdas de espaço é decorrente do movimento mesial dos molares, mas a migração distal do canino pode ocorrer.

A perda precoce do segundo molar decíduo resulta na erupção precoce do segundo molar permanente.

A perda dos incisivos não é em geral motivo de preocupação, mas se um incisivo decíduo for perdido antes que as coroas nos incisivos permanentes estejam numa posição que previna a inclinação dos dentes decíduos mais distalmente colocados, pode ocorrer uma maloclusão da dentição decídua. Se um incisivo decíduo for perdido antes dos 4 anos, deverão ser realizadas radiografias do desenvolvimento do incisivo permanente e o espaço deverá ser observado regularmente.

Os caninos decíduos quando perdidos podem ser motivo de grande preocupação. Na maxila os caninos permanentes erupcionam tão tarde que se o canino decíduo for removido antes que os incisivos laterais e centrais tenham se juntado, pode ocorrer um espaçamento permanente dos dentes anteriores. A perda prematura do canino na mandíbula é mais frequente e mais séria. A perda precoce desses dentes pode resultar em inclinação dos quatro incisivos inferiores, se houver uma atividade anormal do músculo mentoniano. Tem sido amplamente recomendado que o canino decíduo seja extraído, a fim de facilitar o alinhamento dos incisivos permanentes na mandíbula, o que ás vezes deve ser acompanhado do uso de aparelho para prevenir a inclinação lingual dos incisivos. Muitos caninos inferiores bloqueados devem sua posição a uma extração mal planejada do canino decíduo, assim como muitos dentes anteriores mal alinhados se devem â retenção prolongada do mesmo dente.
Estudos revelam que a perda do primeiro molar decíduo leva a um movimento mesial do canino permanente e do primeiro molar permanente. Na maxila os efeitos não são tão profundos.

O primeiro pré-molar não se posiciona mal durante a erupção, já que esse é mais estreito que o primeiro molar.

Se o primeiro molar inferior for perdido precocemente, o segundo molar decíduo poderá inclinar-se para frente na época que o primeiro molar permanente estiver erupcionando.

A perda precoce do segundo molar decíduo permitirá que o primeiro molar permanente se incline para frente. O segundo molar decíduo é mesialmente mais largo que o seu sucessor, mas a diferença entre suas larguras é utilizada na região anterior para prover espaço para o canino permanente. Por isso, quando o segundo molar decíduo é perdido precocemente, não apenas leva o primeiro molar permanente a um movimento para frente, mas também leva o canino a uma tendência distal.

Os incisivos frequentemente alteram a linha média em consequência, o canino erupciona sem espaço para ocupar.

Não se pode deixar de enfatizar a importância do segundo molar decíduo durante o estágio da dentição mista. A perda de substância coronária, devido a uma cárie neste dente, pode ser mais grave que a perda de qualquer outro dente. Isto faz com que exerça um importante papel no estabelecimento das relações oclusais e na manutenção do perímetro do arco.

Quando dois ou mais molares decíduos são perdidos precocemente no desenvolvimento da dentição, há, além dos efeitos de inclinação acumulados, a possibilidade de ocorrerem outras alterações. Como a perda de apoio dentário posterior, a mandíbula pode ser mantida em uma posição que forneça algum tipo de função oclusal adaptativa e uma resultante mordida cruzada posterior acomodativa. Essas mordidas cruzadas posicionadas têm efeitos de longo alcance na articulação temporamandibular, na musculatura, no crescimento dos ossos faciais e nas posições finais dos dentes permanentes.
Distúrbios na sequência de erupção dos dentes permanentes: A sequência normal de erupção dos dentes permanentes proporcionará alta porcentagem de oclusões normais. As ordens anormais de chegada podem permitir deslocamentos de dentes, resultando em perda de espaço. A perda prematura de qualquer dente decíduo pode permitir a chegada antecipada de seu sucessor permanente ou retardá-la conforme o estágio de desenvolvimento. Ex: Tumores e dentes supranumerários podem impedir o curso da erupção e comprometer a ordem de chegada de alguns dentes. A retenção prolongada de dentes decíduos é um fator comum que transtorna a sequência de erupção. A chegada precoce do segundo molar permanente, quando se desenvolve antes de qualquer dente anterior, pode ocorrer o encurtamento no perímetro do arco.
Perda de dentes permanentes: resulta em um maior distúrbio na função fisiológica da dentição, já que a ruptura dos contatos mesiodistais permite a inclinação dos dentes.

7- Má-nutrição: A má-nutrição afeta a qualidade dos tecidos em formação e os índices de calcificação. Uma boa nutrição desempenha importante papel no crescimento e manutenção de boa saúde corporal e na higiene oral.

Fonte: Moyers

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Sobre Daniel Moreira Bulhões

Graduando em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL. Ex-bolsista do Programa Ciências Sem Fronteiras (Brazil Scientific Mobility Program) na University of Kentucky nos Estados Unidos. Presidente e fundador da Liga Acadêmica de Prótese Dentária da UFAL, técnico em Prótese Dentária pelo SENAC-AL, monitor de Prótese Clínica da UFAL e monitor do Projeto Trauma Dental. Foi professor voluntário de Saúde Bucal dos cursos de extensão da Faculdade FACIMA para a Terceira Idade, estagiário do Ministério da Saúde no PET-Saúde, membro da comissão de tecnologia da informação e comunicação do CRO/AL e Presidente do Centro Acadêmico de Odontologia CAO-UFAL. Se aperfeiçoou em Cirurgia buco dentária e atualmente está se aperfeiçoando em "Odontologia Estética" (Dentística) e em Endodontia pelo Instituto Odontológico do Nordeste - IDENT. Venceu três prêmios como melhor Blog de Saúde, Cultura e Educação. É autor-responsável pelo Blog Profissão Dentista, Digital Influencer e Webmaster com experiência em Mídias Sociais e Marketing Digital na Odontologia.

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