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PERIODONTIA: Diagnóstico e Prognóstico

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Em casos de higiene correta da cavidade oral com ausência de biofilme o tecido periodontal se encontra na normalidade, ou seja, com a gengiva rósea pálida, textura de casca de laranja, resiliente, firme e com papilas ocupando as ameias. Porém com o acúmulo de biofilme ou placa sobre a superfície dentária podemos ter uma característica de especificidade microbiana periodontal representadas pelas bactérias do complexo vermelho: Porphryromonas gingilavis, Treponema denticola e Tannerella forsythia. Esta qualidade microbiana poderá resultar em uma resposta no hospedeiro e virão os processos inflamatórios, ou seja perde-se a normalidade.

Existe os indivíduos susceptíveis que são a grande maioria e que apresentam grandes chances de uma gengivite virar uma periodontite.  E temos os não susceptíveis que corresponde a 5% da população. Nestes indivíduos se acumula biofilme, mas a gengivite não gera periodontite.

A evolução natural da doença periodontal acontece então em indivíduos susceptíveis quando se tem uma gengivite geralmente de 4-6 meses e o epitélio juncional migra para a apical acompanhada de perda óssea alveolar e o aprofundamento do sulco.

Lembre-se que o diagnóstico periodontal determina o estado do periodonto de proteção e inserção e só se faz isso com um exame clínico completo.

O diagnóstico só é determinado com o conhecimento da patogênese e a causa. E entende-se deste o que é normal (compatível com a saúde), pois podemos diagnosticar pessoas com saúde periodontal.

EXAME CLÍNICO

O exame clínico é o fator importante para termos o diagnóstico. Ele se divide em eixo inicial (representado pela anamnese) e o eixo posterior (representado pelo exame físico).

ANAMNESE

Identificar e fornecer os sintomas dos indivíduos no ponto de vista periodontal. Através dele sabemos a história da doença atual, médica e antecedentes familiares.

Objetivo da anamnese:

  1. Inicialmente devemos saber a queixa principal do paciente (mais comum nas anamneses), podemos fazê-la também durante um acompanhamento de rotina sem apresentar nenhuma queixa por parte do paciente. Geralmente os pacientes com doença periodontal relatam queixas como: sangramento (+ comum e pode ser espontâneo), gosto azedo, halitose, manchas de sangue no travesseiro ao acordar, mobilidade dentária e coceira na gengiva.
  2. O segundo passo é o HDA (história da doença atual) e sempre se pergunta como começou e há quanto tempo! As perguntas feitas durante a consulta são orientadas e as queixas devem ser anotadas com as palavras do paciente.
  3. O terceiro passo é ter conhecimento dos antecedentes pessoais. Ex.: Diabetes. Fator modificador que funciona como um sistema de mão dupla: a diabetes impede a cicatrização dos tecidos assim como a doença periodontal também interfere na regulagem da glicemia do paciente.

Portanto, a anamnese tem sua importância relevante no diagnóstico para a sinalização de uma provável doença periodontal, dando alternativas e terapêuticas que podem ser usadas. Além de outros fatores que contribuem para esse processo.

EXAME FÍSICO

Detecta os sinais através do exame intraoral que é feito nas seguintes etapas:

  1. Inspeção visual: olha para a gengiva e vê se tem características de normalidade ou não. Ex.: fumante que apresenta vasoconstrição periférica e que faz com que a gengiva fique com coloração normal.

Características da normalidade:

  • Cor: rósea ou acastanhada;
  • Textura: casca de laranja devido as interdigitações dérmicas;
  • Contorno: acompanhando a curva parabólica do dente;
  • Inserção: na junção cemento-esmalte.
  • Papilas: piramidais ou afinalada ocupando completamente as ameias.
  • Ausência de placa ou sangramento visualmente
  • Pontos de contatos preservados.

 Sinais de doença periodontal:

  • Vermelhidão na coloração da gengiva;
  • Textura se apresenta lisa e brilhante;
  • Apresenta placa ou calculo visível;
  • Provável presença de bolsa periodontal – só confirmada com sondagem;
  • Exsudação;
  • Sangramento;
  • Mobilidade;
  • Migração patológica (diastema)
  1. Palpação:
  • Pressão digital (apical para oclusal – V e L) com o polegar posicionado de encontro com o tecido gengival fazemos uma pressão contra o dente. Pode sair conteúdos prováveis da entrada do sulco ou da bolsa com coloração amarelada, esverdeada, sendo sangue ou exsudato.
  • Exsudação: é o indicativo de doença, não se sabe se é gengivite ou periodontite.
  1. Sondagem: é uma investigação da condição periodontal.

CLASSIFICAÇÃO DAS SONDAS PERIODONTAIS

As sondas periodontais podem ser classificadas como de 1º, 2º ou 3º geração.

  • As sondas de 1º geração são essas que usamos normalmente aqui (manuais).
  • As sondas periodontais de 2º geração são manuais e de pressão controlada. Essa sonda tem duas hastes para que, na hora que uma haste se encontra com a outra signifique que eu tenha feito uma pressão de 25g.
  • Sondas de 3º geração são sondas eletrônicas. Possuem pressão controlada e medem de 0,2 em 0,2mm. Uma periodontite crônica destrói, em média, 02mm por ano.  Com isso eu consigo ver destruições muito pequenas com essa sonda. Ela dá automaticamente os valores de PMG, PSV e NCI e fecha o diagnóstico do paciente. Possui custo muito alto e é utilizado mais para pesquisa. Estudos demonstraram que além da praticidade as sondas eletrônicas não diferem muito o seu diagnóstico métrico para consultório das demais sondas.

MODELOS DE SONDAS PERIODONTAIS

  • Marquis: marcações com destaque na distância de 3 mm a 3 mm (0,3,6,9,12). Há transição de cor!
  • UNC 15: sonda da Carolina do Norte. Marcações a cada 5 mm.
  • Williams: é a que utilizamos. Tem marcações do 1, 2 e 3 mm, não tem a marcação do 4, tem a do 5 ,não tem a 6 marcação e tem a do 7, 8,9 e 10.
  • Michigam: marcações nos 3,5 – 6,5 – 8,5 mm.
  • OMS (Organização Mundial de Saúde): marcações nos 3,5 – 6,5 – 8,5 – 12,5mm. Tem uma esfera na ponta que mede 0,5 mm. Essa esfera melhora a sensação tátil do operador, quando a sonda chega ao fundo do sulco consegue uma mão de peso 25g com uma pressão de 25 Newton (resistência tecidual do epitélio juncional), essas condições são os limites para não ocorrer ferimentos.
  • Sonda de Williams modificada ( Sonda maceió): A empresa Neumar confecionou uma sonda Williams com a bolinha na extremidade reduzindo assim o traumatismo gengival por parte principalmente dos acadêmicos.

Observações:

  1. Algumas tem diferenças entre o 3 e 4 mm para chamar atenção do operador! Lembre-se das medidas clínicas normais de sondagem: 3mm nas proximais e 2 nas faces livres.
  2. OMS chegou à conclusão da bolinha na extremidade devido a estudos que relataram que se tiver uma sonda muito fina como alfinete iria ter perfuração do tecido gengival e haverá sangramento. E nesses casos, durante um sangramento pergunta-se: Foi devido à perfuração ou a enfermidade? Se a sonda for muito grossa ela pode nem conseguir penetrar entre o tecido gengival e o tecido dentário por isso a espessura ideal é 0,25mm.

SONDAGEM PERIODONTAL

Através da sondagem faz a mediação e anota-se os pontos no periograma!

  • Princípios básicos da sondagem:
  1. Posicionamento e inserção: Inicialmente devemos sempre introduzir a sonda entre o epitélio oral do sulco ou bolsa em direção ao epitélio juncional. Obs.: procurar sempre uma entrada entre o dente e o interior do epitélio oral da bolsa do sulco indo em direção a apical do epitélio juncional e não a sonda colocar por cima do ápice da gengiva – vertente externa
  2. Colocar a sonda sempre paralela ao longo eixo do dente. Caso não esteja paralela pode aumentar a profundidade de sondagem. Se a sonda estiver inclinada e voltada apenas para o epitélio sulcular pode haver perfuração da gengiva e reduz a quantidade de sondagem. Se inclinar em direção do dente pode tocar no tecido duro que não seria o fundo do sulco ou da bolsa e ter uma subestimação de profundidade de sondagem.
  3. Colocar sempre em direção a porção coronal do epitélio juncional.
  4. Seis pontos por dente: São anotados 3 pontos por vestibular e 3 por lingual : distal – vestibular – mesial. Distal: O ponto distal de um dente no periograma corresponde a maior profundidade observada entre o ponto distal e o ângulo diedro disto-vestibular (DV) do elemento dentário. Ou seja, vai anotar a maior profundidade observada do ponto distal ao ângulo diedro disto-vestibular.  Na mediana vai anotar a maior profundidade observada entre o ângulo diedro disto-vestibular. Na mesial anota-se a maior profundidade entre o ângulo diedro mesio-vestibular e a mesial do dente.
  5. A sondagem se inicial na distal de um dente em direção a mesial do mesmo.
  6. Movimento: tatiando (pequenos saltos) ou percorrendo de foma continua. Na sondagem se faz um passeio pelo sulco: a sonda desliza no sulco ou dá pequenos saltos (não podem em nenhuma dessas situações retirar a sonda completamente do sulco porque pode promover um processo histológico local e estimular um sangramento no tecido lesionado).
  7. Inclinação: paralelo ao longo eixo do dente. Em dentes posteriores com a presença do cool faz-se um ângulo de 45°. Motivo: o cool é uma área de contato, está inclinação seria suficiente para que a ponta da sonda chegue ao local abaixo da área de contato na tentativa de compensar a leve inclinação e a projeção da papila.

Como saber se chegou ao fundo do sulco?

Vai haver uma isquemia da região durante a sondagem que é clinicamente compatível com saúde ou gengivite insignificante. Quando uma gengiva esta edemaciada e com retorno comprometido não se vê a isquemia. Esse processo é feito tanto pela lingual quanto pela vestibular e vem de posterior para anterior (distal para mesial) porque em caso de sangramento fazendo isso facilita a visualização do operador.

A sondagem sempre deve ser feita do mesmo jeito, numa mesma sequencia. Ou seja, tem que ser METÓDICO!

Parâmetros indicados na sondagem:

  • Profundidade à sondagem (PSV): distância entre a margem gengival e a porção mais coronal do epitélio juncional.
  • Posição da margem gengival (PMG): distância entre a junção cemento-esmalte e a margem gengival.
  • Nível clínico de inserção (NCI): distância entre a junção cemento-esmalte e a porção mais coronal do epitélio juncional. Achado numericamente somando a PMG e PSV.
  • Sangramento à sondagem: presença ou ausência. OBS: Se 20s após passar a sonda e a região do dente sangrar, o sangramento é dito existente, positivo!

OBSERVAÇÕES:

  • Os três primeiros parâmetros são medidos numericamente enquanto o último só em presença ou ausência.                            
  • Porção mais coronal do epit. Juncional pode ser substituído por fundo de sulco ou bolsa, mas se for trocar é obrigatório colocar de sulco ou bolsa porque não se sabe o que se tem!
  • PMG é o único parâmetro que pode ser negativo pois sempre que a margem gengival estiver coronariamente a junção amelocementária o valor adotado será negativo (sabe-se que se chegou a JAC pela sensibilidade tática).

FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR A SONDAGEM

Pressão aplicada:  Pressão que deve ser aplicada por padrão é de 25g.

Anatomia do dente e acidentes anatômicos presentes: Um dente com uma coroa muito robusta eu posso ter dificuldade para conseguir inclinação para colocar a sonda entre a gengiva e o dente;

Espessura da sonda:  Uma sonda com uma ponte muito fina pode superestimar uma sondagem, ao mesmo tempo que uma ponta muita grossa pode subestimar. A espessura ideal da ponta da sonda para evitar tudo isso é de 0,5mm.

Grau de inflamação do tecido: Eu posso ter inflamações que respondem de forma fibrosada ou de forma edematosa, ou seja, em uma inflamação a gente vai ter que ter uma percepção, tem horas que vai ser requerido uma pressão mais leve ou se estiver muito fibrosada pode se ter uma necessidade de uma pressão um pouco maior, mais forte.

Posicionamento da sonda: Tem que ser paralelo ao longo eixo do dente;

Presença de cálculo: Vai pela sensibilidade tátil, vai ser muito comum na clínica vocês sondarem 3mm e quando a gente for sondar for encontrar 5,6,7 ou até 8mm. Porque vocês vão sondando e a sonda não entra, vocês encontram uma superfície dura (presença de cálculo), tem que ter sensibilidade tátil. Se eu pressionar a sonda lá e o paciente não demonstrar nenhuma reação, isso é sinal de que tem algum cálculo lá. A presença de cálculo pode subestimar a profundidade de sondagem.

Mobilidade dentária: Mobilidade pode ser de grau 1,2,3. Grau 1: movimentação de 0,2 a 1mm no sentido vestíbulo lingual, e ou, mesio-distal; Grau 2: Se esse dente tiver mais de 1mm é grau 2; Grau 3: Se o dente tiver movimentação ocluso-apical, ou seja, se o dente intruir ou extruir, eu vou ter movimentação de grau 3 (movimentação vertical). Atenção: Se o dente não movimentar nada no sentido vestíbulo-lingual nem mesio-distal mas ele tiver movimentação vertical, o dente vai direto para o grau 3.

 

EXEMPLOS DE CASOS CLÍNICOS

CASO 1: Paciente apresentava gengiva sem sangramento ficou levemente isquêmica quando feita a sondagem, ou seja A SONDA chegou ao fundo do sulco. E possuía os seguintes dados:

PMG: -3mm                                   
PSV: 3mm                             
NCI: 0 mm    

O PSV encontrado é o pequeno afastamento da gengiva com o jato de ar e que mal da pra ver a JAC, ou seja a gengiva cobre a JAC em pequena quantidade. E isso é clinicamente normal!

Quando não se diz se tem sangramento e tiver a presença do PSV pode-se ter uma saúde ou gengivite!

Pct apresenta PSV dentro dos limites, sem sangramento e sem perda de inserção.

RESULTADO paciente está com Saúde Periodontal!

CASO 2: Pseudo-bolsa.

A gengiva então edemaciou e migrou para a incisal. Podemos ter gengivite com causas hereditárias ou provocadas (abuso de medicamentos como fenitoina e bloqueadores doa canais de cálcio). Se não for essas causas temos que olhar então se está associada ao biofilme ou a uma periodontite porque os rumos do tratamento serão diferentes.

PMG: -4mm                                   
PSV: 4mm                             
NCI: 0 mm   

Pct apresenta PSV fora dos limites, mas se apresentava sem perda de inserção

RESULTADO: paciente está com Gengivite!

CASO 3: Paciente está como coloração da gengiva normal e a textura com casca de laranja.

PMG:  3mm                                   
PSV:  3mm                            
NCI: 6mm    

Se a profundidade de sondagem está normal descarta periodontite!

Pct apresenta PSV dentro dos limites, mas possuía perda de inserção.

RESULTADO: paciente está com Saúde periodontal.

Esse paciente ele possivelmente teve o seguinte caso tempos atrás:

PMG: 0 mm                                    
PSV:  6mm                            
NCI: 6mm    

Pct apresenta PSV fora dos limites, mas possuía perda de inserção.

RESULTADO: paciente está com Periodontite (bolsa periodontal verdadeira).

Ou seja,  podemos ter limitações desde que estas estejam compatíveis como o processo de saúde!

Paciente estava com periodontite e após a retirada dos elementos periodontopatogênicos por meio da raspagem fica uma sequela – retração provocada pela perda da inserção clinica, mas a gengiva voltou a normalidade como mostrada na saúde periodontal do pct.

CASO 4:

PMG: -4 mm                                    
PSV:  8 mm                            
NCI: 4 mm  

Pct apresenta PSV fora dos limites, mas possuía um aprofundamento do sulco acompanhada com  perda de inserção.

RESULTADO: paciente está com Periodontite moderada (bolsa periodontal verdadeira).

Não se sabe se é crônica ou agressiva tinha que  ter na questão os fatores condizentes com a destruição ou não!

Relembrando: leve=1 a 2 mm; moderada= 3 a 4mm e grave=maior ou igual a 5mm.

Para classificar tem-se como base o valor de NCI.

 

SONDAGEM DE FURCAS

Um exame ainda se conclui com duas outras avaliações extremamente simples. As bolsas periodontais que se iniciam no sentido vertical podem começar a tomar um sentido horizontal e se o dente for multirradicular esse sentido horizontal pode levar a um comprometimento da furca.

Quais dentes normalmente tem furca?

  • 1º pré-molar superior:  O primeiro pré-molar superior possui uma raiz para o palato e outra para o vestíbulo, logo, possui duas entradas de furca (mesial e outra por distal). Em média o tronco radicular do 1º pré-molar superior é de 8 milímetros, então precisaria chegar muito fundo para comprometer a furca do pré, e essa abertura é no terço apical do dente.  Normalmente se eu tiver uma classificação comprometendo esse pré-molar ele tem prognóstico péssimo (indicação para exodontia, porque o acesso para tratamento é difícil). O 1º pré molar superior eu sondo por mesial ou por distal, tanto faz, por palatino ou por vestibular eu vou tentar.
  • 1º molar superior: Tem 3 raízes (mésio-vestibular, disto-vestibular e a palatina) e 3 entradas de furca (mesial, vestibular e distal). O tronco radicular da mesial do 1º molar superior mede, em média, 3mm. A distal, em média, 5mm. O da mediana vestibular, em média, 3,5mm. O molar superior eu sondo por mesial, vestibular e a distal. A mesial eu sondo só por palatina. Desde que esse dente esteja sob forma ortodôntica (posição normal). IMPORTANTE: Sempre quando eu for sondar a furca mesial do 1º molar superior, obrigatoriamente o acesso é por palatina. A furca distal ela é centralizada no dente, então eu devo tentar sondar por vestibular ou por palatino, porque a distância é a mesma.
  • 2º molar superior: Também tem, mas as raízes se aproximam mais.
  • 3º molar superior: Também pode ter, mas quase sempre é fusionada.
  • 1º molar inferior: 2 raízes (mesial e distal), 2 entradas de furca (vestibular e lingual). A medida que os dentes vão pra posterior as furcas vão diminuindo de tamanho podendo chegar a não existir (as raízes estarem fusionadas). O molar inferior a entrada da furca vestibular é de 3mm ou mais, o da lingual com 4mm ou mais.

OBS:  O que é Tronco Radicular? Distância que vai da junção amelo-cementária até o início da abertura das raízes (furca). 

Vamos a uma situação aqui também, todas as raízes dos dentes são achatadas, em sua maioria, no sentido vestíbulo lingual, se ela for achatada no sentido vestíbulo-lingual o dente vai crescer no sentido mesio-distal. (ele dá o exemplo de pegar uma massa de modelar e espremer ela no sentido vestíbulo lingual daí ela vai se estender no sentido mésio-distal).

Uma das exceções é a raiz mesio-vestibular do 1º molar superior, ela é achatada no sentido mésio-distal, e se ela é achatada nessa direção, ela é mais comprida como? de vestibular para a palatina. Então eu poderia dizer que, o fato da raiz mesio-vestibular ser mais achatada no sentido mesio-distal faz com que seu comprimento vestíbulo-lingual desloque a furca para palatina, portanto a sondagem da furca mesial obrigatoriamente deve ser feita por palatina.

Quando eu for sondar essas furcas eu uso a sonda de Nabers. Essa sonda parece um explorador sendo que a sua ponta é romba, não é ativa, e tem uma curvatura para direita e uma curvatura para a esquerda. Quando as furcas estão envolvidas eu preciso colocar pela bolsa tentando então alcançar a furca para ver se ela está comprometida, eu vou sondar para ver. Se ela estiver comprometida eu posso classificar de acordo com 4 classes de Hamp e col. de 1975.

CLASSIFICAÇÃO DE FURCAS

Dividimos a furca em 3 terços

  • Classe I (hamp): Se a sonda penetrar em apenas 1/3 da dimensão HORIZONTAL da furca é classe I;
  • Classe II (Hamp): Se acometer 2/3 da dimensão horizontal é classe II;
  • Classe III (Hamp): Se ela acometer 3/3 da dimensão horizontal (entra de um lado da furca e sai do outro) com a gengiva recobrindo essa furca.
  • Classe IV (adicional feito por Carranza): Se acometer 3/3 da furca e houver retração gengival, a furca estar exposta.

OBS: cada entrada da furca tem sua classificação independente.

OBS: radiografia não dá pra diferenciar se é classe III ou IV, porque não se pode ver gengiva.

 

EXAME RADIOGRÁFICO

Exame radiográfico dá diagnóstico de periodontia?

Não, porque não dá pra ver bolsa. Mas eu posso solicitar um exame radiográfico para saber a proporção de raiz que ainda está inserida no osso.

Panorâmica dá pra ver detalhe do periodonto?

Não.

Periapical sem posicionador distorce mais ou menos do que com posicionador?

A técnica do paralelismo (com posicionador) possui a menor distorção possível.

PADRÃO DE PERDA ÓSSEA. Angular ou horizontal?

Imaginem só o seguinte, se eu quiser saber perdas ósseas, como elas estão na boca, qual daqueles parâmetros ali é que me dá realmente que está tendo destruição óssea da inserção óssea? O NCI.

EX: Na mésio-vestibular do 16 eu tenho perda óssea de 7mm, na mesio-lingual é 0mm. A destruição óssea de vestibular pra lingual é horizontal ou angular? Angular. Eu precisava de uma radiografia pra ver isso? Não, e se eu fizesse uma radiografia haveria sobreposição das imagens e não daria para ver.

EX: Mésio-vestibular do 16 tem 7mm, disto-vestibular do 15 tem 3mm, a destruição é angular ou horizontal? Angular. Existe bolsa infra óssea aí, sim ou não? Existe. Aonde ela é, na mesial do 16 ou na distal do 15? Mesial do 16.

CUIDADO!!! Com base no periograma, qual é o padrão de perda óssea que poderia ser identificado em uma radiografia entre a mesio-vestibular do 16 e a disto-vestibular do 15. Qual é o padrão de perda óssea? Perda óssea só pode ser angular ou horizontal.

IMPLANTE

A doença evolui diferente, não se chama gengivite, se chama mucosite. Não se chama periodontite, se chama perimplantite, não tem ligamento, mas tem espaço biológico, o sulco tem profundidades diferentes, os tratamentos são diferentes e os diagnósticos são outros. Agora lembrem-se, tudo deve ser feito com uma sonda de politetrafluoretileno expansível.

PROGNÓSTICO

  • Excelente: – 0% de perda óssea; Condição gengival excelente; Boa cooperação do paciente;  Sem fatores sistêmicos ou ambientais;
  • Bom (um ou mais dos seguintes fatores): – Adequado suporte ósseo remanescente;  Possibilidades adequadas de controlar os fatores etiológicos;  Cooperação adequada do paciente; Sem fatores sistêmicos ou ambientais, caso presentes estejam em controlados.
  • Regular (um ou mais dos fatores seguintes):  Suporte óssea < que o adequado; Alguma mobilidade dentária; Envolvimento de furca grau I; Manutenção adequada possível; Cooperação aceitável do paciente; Fatores sistêmicos ou ambientais limitados.
  • Questionável (um ou mais dos fatores seguintes):  Perda óssea avançada; Mobilidade dentária; Áreas de manutenção inacessíveis; Presença de fatores sistêmicos ou ambientais.
  • Desanimador (um ou mais dos fatores seguintes): Perda óssea avançada; Sem áreas de manutenção; Extração(ões) indicada(s); Fatores sistêmicos ou ambientais descontrolados.
  • Desfavorável (um ou mais dos fatores seguintes): Perda óssea moderada ou avançada; Mobilidade dentária; Envolvimento de furca graus I e II; Áreas de manutenção difícil; Cooperação duvidosa do paciente; Presença de fatores sistêmicos ou ambientais.
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Sobre Dr. Daniel Moreira de Bulhões

Cirurgião-Dentista graduado em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL. Empresário e sócio proprietário da MOLART, loja de presentes exclusivos e criativos para dentistas. Ex-bolsista CAPES nos Estados Unidos durante o “Brazil Scientific Mobility Program” na University of Kentucky. Foi professor voluntário de Saúde Bucal dos cursos de extensão da Faculdade FACIMA para a Terceira Idade, estagiário do Ministério da Saúde no PET-Saúde, presidente e fundador da Liga de Prótese Dentária, três vezes monitor de Prótese Dentária na Clínica Integrada da UFAL, membro da comissão de tecnologia da informação e comunicação do CRO/AL e Presidente do Centro Acadêmico de Odontologia CAO-UFAL. Se aperfeiçoou em Cirurgia buco dentária, em Odontologia Estética, e atualmente está se aperfeiçoando em Endodontia e Dentística pelo Instituto Odontológico do Nordeste – IDENT. Venceu três prêmios como melhor Blog de Saúde, Cultura e Educação. É autor-responsável pelo Blog Profissão Dentista, Digital Influencer e Webmaster com experiência em Mídias Sociais e Marketing Digital na Odontologia.

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