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Fracassos em Prótese Parcial Removível

fracassos

Os “fracassos” em PPR’s são consequências de erros em aparelhos mal construídos (principalmente a estrutura metálica) que causam ações destrutivas sobre as estruturas de suporte na cavidade bucal.

Exemplos e consequências de ações destrutivas causadas pelos fracassos

Mobilidade dos dentes suporte, aprofundamento de bolsas periodontais, reabsorções ósseas, gengivite, marcas profundas desenhadas na fibromucosa pela compressão de barras que não foram corretamente aliviadas, entre outros.

Tais consequências poderão ser evidenciadas por reações de dores locais ou na ATM, acusando uma desarmonia oclusal e refletindo na evolução de um processo destrutivo iniciado na boca devido a instalação de uma PPR construída incorretamente.

Devemos saber que uma PPR quando bem construída não destrói, mas protege os tecidos e os dentes remanescentes. Por isso não podemos responsabilizar pelos fracassos a PPR propriamente dita e os seus fundamentos teóricos e biomecânicos que orientam a sua construção. Esses fracassos são decorrentes da ignorância ou da negligência do profissional que não seguiu corretamente os princípios fundamentais a sua construção.

Funções do Cirurgião-Dentista

O Dentista deverá, com o auxílio dos modelos de estudo e outros elementos de diagnóstico, estudar bem o caso, planejar a futura prótese, preparar devidamente a boca do paciente e enviar para o laboratório os modelos de trabalho e de orientação desenhado para que o protético possa executar a prótese corretamente.  Ele deverá ser o idealizador, construtor e orientador do trabalho protético. É ele quem vai normalizar o plano oclusal, preparar os descansos de apoios (nichos), definir nos dentes de suporte as condições de retenção, movimentar ou desgastar os dentes para conseguir paralelismo e melhoria da inserção da prótese.

Técnica conhecida como “ATL” – Alginato, Telefone, Laboratório

A “aparente” simplicidade e facilidade na construção de uma PPR chega a tal ponto na mente de muitos profissionais, que bastará moldar a boca do paciente sem qualquer tipo de preparo, enviar o molde para o laboratório de prótese e aguardar o retorno da peça fundida, polida e pronta para ser provada na boca.

Essa técnica é tendenciada ao fracasso e infelizmente é realizada pela maioria dos Dentistas, preguiçosos e despreparados que passam a responsabilidade do planejamento, arquitetura e construção do aparelho protético para o Técnico que possui uma visão laboratorial totalmente mecanicista.

  • Olham a boca do paciente
  • Decide se prepara ou não prepara os descansos oclusais
  • Molda o paciente com alginato
  • Obtém um registro da “mordida” em cera
  • Envia os moldes e registro de cera para o laboratório de prótese.
  • TPD planeja e constrói a PPR
  • Dentista instala a PPR na boca do paciente e faz as recomendações de praxe.

 

CAUSAS DOS ‘FRACASSOS’ DAS PPR’S

  • Causas que dependem exclusivamente do CD

Estabelecimento do diagnóstico: O diagnóstico deve preceder todas as intervenções a serem executadas na cavidade bucal.  Só o Dentista possui o conhecimento e treinamento para avaliar completamente os problemas envolvidos.

 Elaboração do plano de tratamento: O plano de tratamento constitui em um roteiro que deve conter todas as fases necessárias à realização e consecução de todo o tratamento a ser efetuado, colocadas na ordem lógica de sua execução. No plano de tratamento cada fase deve situar-se como pré-requisito para a fase seguinte, numa ordem lógica

Orientação devida ao laboratório: É necessário que o CD esteja forneça ao técnico não só o desenho acabado da PPR que ele pretende que seja construído, mas também outras informações necessárias à elaboração correta da prótese. Cada profissional tem o técnico que merece.

Preparo da boca do paciente: Deve obedecer, na sua execução, a sequência previamente estabelecida no plano de tratamento, de tal forma que uma fase se constitua pré-requisito para a realização de uma próxima fase. O ponto de partida para o preparo de boca consiste na recuperação e melhoria do seu estado geral de saúde, tanto dos tecidos moles como dos tecidos duros a serem envolvidos na sustentação da PPR.  O segundo aspecto está relacionado com a melhoria do equilíbrio biostático das estruturas de suporte do futuro aparelho. Por último devemos preparar os elementos a serem relacionados diretamente com os componentes da armação metálica da PPR.

Realização da moldagem e obtenção do modelo de gesso: A moldagem do paciente, com o objetivo de obter o modelo sobre o qual será executado o trabalho de laboratório, correspondente à armação metálica da PPR é realizada após o término do preparo da boca. O molde deverá registrar em detalhes todas as áreas que vão interessar na construção da PPR, tanto com relação aos dentes como aos espaços protéticos

  • Causas que dependem exclusivamente do paciente

Cuidados de higiene: A higiene bucal é o principal fator na manutenção da saúde das estruturas bucais. É aconselhável que o Dentista mantenha com o paciente (portador de PPR) um programa de retorno periódico ao consultório, com vistas a uma revisão do aparelho e suas estruturas de suporte, ocasião em que verificará o grau de cuidado que vem sendo realizado pelo paciente, aproveitando a oportunidade para reforçar sobre a importância da escovação dos dentes, tecidos moles e aparelho protético.

Uso contínuo e adequado da PPR:  A PPR passará a fazer parte integrante do organismo do paciente como qualquer outro órgão indispensável ao seu funcionamento. O CD deverá prestar toda assistência necessária até quando o paciente puder usar o aparelho com todo o conforto, retirá-lo e recoloca-lo com facilidade e não puder ficar sem ele em momento algum. O paciente precisa ficar acostumado com a prótese até certo ponto que sua ausência o incomode e ele não consiga ficar mais sem ela. O seu uso deve ser contínuo 24 horas do dia e a PPR só deve ser tirada da boca apenas para higienização.

  • Causas que dependem tanto do CD quanto do paciente

Deverá haver uma perfeita comunicação entre o profissional e seu paciente. O Dentista deverá informar e motivar adequadamente o seu paciente para a execução de uma correta higienização oral. O melhor momento para o início deste trabalho de motivação do paciente, relativa aos cuidados que deverá ter com a higienização dos seus dentes, é o momento da realização da profilaxia, que faz parte das medidas prévias, na sequência do preparo da boca. A profilaxia marca praticamente o início de qualquer tratamento odontológico. A partir daí, nas visitas sequenciais para a execução do tratamento, o profissional ou sua auxiliar terão oportunidade de fiscalizar a qualidade do trabalho da escovação executada pelo paciente, cobrando dele melhorias e destacando os aspectos positivos de sua nova conduta.

Se o paciente se mostrar desinteressado e resistente às orientações do profissional no sentido de usar adequadamente a sua prótese e de higienizá-la de maneira conveniente de acordo com a técnica ensinada pelo CD as probabilidades de sucesso estarão reduzidas e o fracasso neste caso será apenas uma questão de tempo.   O paciente precisa estar consciente de que ele é o único responsável pela manutenção do equilíbrio e do estado de saúde dele mesmo.

  • Causas que dependem exclusivamente do TPD

Alívio ou bloqueio dos ângulos mortos (se deixar de fazer o alívio ou fazê-lo de maneira deficiente, certamente irá ocorrer o difícil assentamento da prótese na boca. O alívio completará o preparo dos planos-guia no que diz respeito ao estabelecimento do paralelismo entre as superfícies dos suportes, na região correspondente aos conectores menores e às placas proximais.);

Duplicação de trabalho em revestimento: Protético deverá ter cuidado com o calor do revestimento para não derreter os alívios de cera feitos no modelo de estudo. O modelo de trabalho obtido pelo profissional denunciará os erros ocorridos pelo técnico, impondo a necessidade de repetição do trabalho.); Execução do trabalho de acordo com o planejamento (O TPD deverá obedecer rigorosamente ao planejamento fornecido pelo CD. Há dentistas que gostam de analisar o modelo de trabalho na fase de ceroplastia, podendo corrigir a tempo algum equívoco cometido pelo laboratório antes de ser realizada a fundição da peça);

Uso de ligas inadequadas ou impróprias para PPR: Liga metálica deverá ser de Cr-Co Cromo Cobalto sofrendo deformação elástica apenas na ponta ativa do braço de retenção dos grampos. A liga não poderá ser “queimada” e reutilizada sem um acréscimo proporcional de liga nova

Técnica de fundição: Quando o técnico deixa de valorizar devidamente cada passo da realização do trabalho que corresponde à colocação dos condutos de alimentação (com calibre ideal e câmaras de compensação), inclusão da peça no anel e os detalhes que envolvem o trabalho de fundição, estará introduzindo fatores de erros que, de alguma forma, conduzirão ao “fracasso” do trabalho realizado.

  • Causas que dependem tanto do TPD quanto do CD

Técnico não discute e constrói a prótese em modelo que não foi preparado pelo CD.  O Dentista deixou de cumprir a sua parte com relação ao plano de tratamento, ao diagnóstico e ao correto preparo de boca e o protético prevendo as consequências da situação, deixou de cumprir a sua parte para não desagradar o Dentista, ou por já está acostumado a fazer tudo por conta própria sem se importar com os resultados.

 

CONCLUSÃO

A reabilitação bucal por meio da prótese parcial removível precisa ser benéfica no restabelecimento da saúde bucal e não meramente no preenchimento puro e simples dos espaços deixados pelos dentes que se perderam.

A instalação de uma prótese sem os cuidados que obrigatoriamente devem preceder a sua construção, acelera o processo de deterioração e condena os dentes remanescentes e seus tecidos de sustentação. Com o tempo os dentes de suporte estarão abalados, com profundas bolsas periodontais, gengiva inflamada/sangrando, e com possíveis lesões cariosas sob alguns grampos. Poderemos verificar migrações e mobilidade dos dentes do arco oponente e diversos sintomas de uma clara situação de desequilíbrio do aparelho mastigatório.  O paciente relatará dores faciais, denunciando que algo não vai bem com a ATM.

Antes de reconstruir precisamos evitar danos aos elementos remanescentes. O cirurgião-dentista precisa ter conhecimento e honestidade profissional, tendo uma conduta coerente com os objetivos conservadores da boa prática odontológica, fazendo com que os princípios que fundamentam a construção de uma PPR sejam levados em consideração para não se tornar um instrumento de destruição gradativa na boca do paciente.

Fonte de Pesquisa: Todescan

Resumo feito por Daniel Moreira

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Sobre Dr. Daniel Moreira de Bulhões

Cirurgião-Dentista graduado em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL, Cursou parte de sua graduação nos Estados Unidos durante o "Brazil Scientific Mobility Program" na University of Kentucky. Pós-graduando em Prótese Dentária e Implante Dentário pela Faculdade de Sete Lagoas de Minas Gerais. Empresário, Diretor clínico da "Evolution Dental Clinic" e sócio-proprietário da MOLART (www.molart.com.br), loja de presentes exclusivos e criativos para dentistas. Foi professor voluntário de Saúde Bucal dos cursos de extensão da Faculdade FACIMA para a Terceira Idade, estagiário do Ministério da Saúde no PET-Saúde, presidente e fundador da Liga de Prótese Dentária, três vezes monitor de Prótese Dentária na Clínica Integrada da UFAL, membro da comissão de tecnologia da informação e comunicação do CRO/AL e Presidente do Centro Acadêmico de Odontologia CAO-UFAL. Se aperfeiçoou em Facetas e Laminados cerâmicos, Toxina Botulínica e Preenchimento Facial, Cirurgia buco dentária, Radiologia, Odontologia Estética, Endodontia e Dentística pelo Instituto Odontológico do Nordeste. Venceu três prêmios como melhor Blog de Saúde, Cultura e Educação. É autor-responsável pelo Blog Profissão Dentista, Digital Influencer e Webmaster com experiência em Mídias Sociais e Marketing Digital na Odontologia, onde palestra e dá cursos sobre o assunto.

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